O texto Animação Cultural, de Flusser, desperta diversas leituras. O objeto é colocado como superior aos humanos, sendo a síntese entre a ação humana sobre o mundo e a ação do mundo sobre os humanos. A mesa redonda, que representa a centralidade e equilíbrio, argumenta ao longo do texto, justificando a atitude repressora das pessoas, como uma forma de tentar mascarar a inferioridade humana.
Achei interessante a redução do homem a tijolo, utilizando o argumento do mito da criação, no qual o boneco ganha vida, ou ânimo, a partir do sopro divino.
Outro ponto a ser destacado é a interpretação que se tem sobre os objetos. A mesa, por exemplo, não seria apenas o fenômeno inanimado "pedaço de madeira", mas também, o fenômeno animado que representa a manifestação da vontade de sustentar coisas. Os objetos, então, além de serem a síntese dos dois fenômenos, seriam a animação programadora do comportamento das pessoas, não o resultado da produção humana.
A argumentação da mesa em relação ao escape do controle dos homens sobre os objetos, no século XX, leva a muitas reflexões, não apenas referentes às guerras, mas também a situações atuais. Por exemplo: no momento em que novas tecnologias criadas para facilitar a comunicação (como celulares) passam a fazer o contrário, quando usados em momentos inapropriados, perde-se o sentido.
O texto coloca como objetivo central, a "desvaloração" da cultura. Levei muito tempo para chegar a uma interpretação que me satisfizesse (e, pra ser sincera, não sei se cheguei a isso, mas prosseguirei). A eliminação dos valores levaria à plena objetividade, já que a cultura seria um jogo sem propósito ou sentido. Os exemplos dados, como a tomada de poder por certos aparelhos na política e a conquista de alguns aparelhos na criação estética mostram a eliminação dos valores o campo da sociedade e da arte, respectivamente.
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